Durante o mês de novembro, os participantes dos 15 Comitês Multidisciplinares realizaram o 3º encontro formativo do Projeto Territoriar, que trouxe para as discussões o tema “Territórios Educativos”. O objetivo de abordar esta temática foi compreender que ambientes externos à escola também são enriquecedores de novas aprendizagens, uma vez que a cidade é um território que educa, potencializa a criatividade, é palco das relações sociais, de afetividade, de poder e manifesta as várias identidades e linguagens que singularizam os ambientes.

“Os participantes dos Comitês estão atuando para construção de espaços que dialoguem com as crianças, promovam a sua participação e atuação como sujeito de direitos. A proposta de uma escola participativa instiga o envolvimento do educador no seu processo organizacional, deixando-o manifestar seus olhares e o pertencimento a estas unidades”, destaca a educadora Danielle Bairro.

Segundo o documento “Territórios Educativos para Educação Integral (MEC/SEB)”, organizado por Jaqueline Moll, “escolas e cidades mais humanas (generosas, justas, inclusivas, de qualidade etc.) só poderão ser feitas a muitas mãos, coletivamente, com a participação de todos os segmentos da comunidade escolar e todos os setores da sociedade, ou seja, no âmbito da escola, na parte que lhe/nos cabe, o princípio da gestão democrática é indispensável para este processo de requalificação da escola, da cidade, da educação” (s/d, p.40).

Fundamentados nos estudos realizados e conceitos ressignificados, os Comitês deram continuidade à construção da matriz de avaliação, um instrumento pedagógico construído de forma democrática entre os membros da comunidade escolar para garantir a avaliação do uso dos espaços ressignificados a partir de 2016 e garantir que a ressignificação dos espaços sejam feitas com base nos “Indicadores da Qualidade na Educação” (MEC/SEB, 2009). Dessa forma, as matrizes pretendem assegurar uma “concepção de educação e cuidado respeitosa das necessidades de desenvolvimento das crianças, em todos os seus aspectos físico, afetivo, cognitivo, criativo” (MEC/SEB, 2009, p.50).

Ainda neste encontro, a arquiteta responsável pelos projetos de ressignificação, Stephanie Farias dos Santos, apresentou as plantas de cada espaço, com base nas reflexões dos encontros anteriores, levando em consideração as escutas realizadas com crianças e educadores. “A concepção dos projetos arquitetônicos ocorreu de forma simples, pois a construção coletiva juntamente com a comunidade educativa possibilitou uma gama de opções ao se pensar nos espaços”, segundo Stephanie, que destaca a importância do trabalho dos comitês: “os comitês definiram as opções e vincularam às propostas pedagógicas, de forma a refletir tanto sobre as propostas consolidadas quanto a concepção de novas práticas”.

A construção da proposta se deu desde o primeiro encontro, durante a composição da primeira maquete, “voltada à reflexão sobre a composição do espaço existente, das análises de fluxos e do território e entorno realizadas através do mapa comportamental e mental; com as escutas realizadas através das urnas, rodas de conversa, e por fim da definição do espaço a ser ressignificado com a segunda maquete”, relata a arquiteta. “Todas as atividades estiveram entrelaçadas a formações que direcionaram para o esclarecimento e problematização. Cada prática realizada buscou traduzir as expectativas, potencialidades e as necessidades encontradas nas unidades escolares”, completa.

Esta trajetória construída busca resgatar a identidade desses locais e refletir sobre as especificidades de cada um. É um trabalho importante e que auxilia na construção e reflexão dos próximos Projetos Político Pedagógicos (PPPs), que devem respeitar a dinâmica própria das instituições.

Confira como foi o encontro em cada município: