Entre os dias 17 e 18 de outubro, o projeto Territoriar, em parceria com o Centro Educacional Vila Formosa de São José-SC, organizou um encontro com o comitê da escola, a fim de relembrar as ações desenvolvidas durante o percurso formativo e partilhar como foi a experiência de utilização do ambiente ressignificado. O encontro reuniu pais, educadores e educandos, que também puderam participar do lançamento do documentário “Territoriar: Ambientes Educativos Inspiram Novas Aprendizagens”, e dos dois livros que registram o percurso formativo do projeto.

Além da oportunidade de resgatar a trajetória do Comitê no projeto Territoriar, os participantes do encontro também relataram quais ações previstas no calendário – instrumento com atividades previstas após a finalização das atividades da primeira etapa – foram desenvolvidas pelo comitê e por toda a comunidade educativa.

Foi proposto ao comitê a elaboração de uma colcha de retalhos na qual cada participante, em um dos lados, desenhou atividades e lugares que foram significativos para seu aprendizado e do outro colocaram suas expectativas e desejos para a escola. E durante a partilha e o tecer da colcha deram início à análise do Documento de Sustentabilidade – documento com recomendações deixado para cada escola – comparando-o com as propostas desenvolvidas, revendo os cronogramas e os objetivos que haviam sido elencados e que se tornaram ações concretas. Este olhar traz para o grupo o reconhecimento das boas práticas e a visualização de novas possibilidades.

No segundo dia, o Arte-educador Leandro Medina, trouxe os para os educadores a reflexão sobre a valorização das culturas, dos territórios e das singularidades que cada educando traz consigo. A formação conteve em sua essência o lúdico com dinâmicas e reflexões, exemplificando as possibilidades que existem para a educação em relação aos diversos formatos de aprendizagem.

O lançamento do documentário reforçou entre os participantes a importância de ouvirem-se uns aos outros, e o poder da participação de todos na promoção da qualidade da educação, e de um ambiente prazeroso para tod@s que pertencem a comunidade educativa.

Pós-ocupação

O Centro Educacional Vila Formosa de São José-SC representa um dos poucos pontos de encontro e lazer da comunidade, que tem o hábito de ocupar a quadra esportiva do local para a prática de jogos e outras atividades. Essa mesma quadra era espaço também para aulas de Educação Física, Ginástica e Dança. Um local muito concorrido, que acabava se dividindo para práticas diversas, concomitantemente.

Além disso, o espaço era o mais procurado no horário do intervalo, pois apresentava, para os educandos, maior atratividade do que o pátio. Diante destes determinantes, uma das necessidades postas foi a qualificação do pátio e da área de convivência existentes. A área externa do pátio recebeu bancos de alturas variáveis, acessíveis a todos os alunos; uma tenda, que qualificou o local para atividades em dias de chuva; mesas para as atividades; e novo piso, com correção de desnível.

Há no Centro Educacional um interesse muito grande pelas práticas que desenvolvem a arte e a expressão corporal; por isso, a aula de Dança tem uma enorme procura pelos educandos. A ausência de um local específico para essa atividade fez com que a implantação de uma sala de dança fosse outra prioridade definida pelo Comitê para a intervenção arquitetônica. A nova sala foi implantada a partir da junção de duas outras pequenas, onde funcionavam previamente almoxarifados, desativados por falta de manutenção. O amplo espaço recebeu novas janelas, e elementos específicos para o desenvolvimento artístico, como piso apropriado, espelhos e barras para dança, em duas alturas. Além disso, a brinquedoteca localizada na sala ao lado recebeu pintura e troca de esquadrias, para que o uso fosse qualificado.

Após a ressignificação das práticas pedagógicas, o professor Antônio sentiu abertura para desenvolver um projeto de introdução à música, por meio de oficinas de violão. “Eu sempre tive o sonho de fazer alguma coisa em favor da cultura, da arte, da comunidade, mas sempre estamos naquela correria de ganhar o pão de cada dia […]. Eu passei um ano aqui, e nunca tinha visto aqueles violões. Será que eu poderia desenvolver um projeto ensinando os primeiros acordes, para motiva-los a gostar de outros tipos de música, da cultura ou de outra expressão de arte?  A gente percebe que eles querem vir, e isto interfere positivamente na disposição para a educação. A escola tinha espaço, tinha instrumento, só faltava alguém se colocar à disposição. De tantas lembranças boas, esta é uma que eu gostaria de ter a muito tempo. ”

Confira como foi em: http://territoriar.org.br/espaco-tempo/centro-educacional-municinal-vila-formosa/